Há algum tempo, para a minha desventura, deixei de acreditar em algumas coisas fundamentais. Ah, sim, como foi triste deixar de acreditar que não existe mais Papai Noel. A realidade de que não há um bom velhinho que nos presenteia a todos, indiscriminadamente, a cada final de ano é cruel demais, e nada há de interessante em saber que nosso pai é que se esforça por cumprir esse papel. Aqueles que podem, é claro, o que ainda é pior!
Percebi também que nem todo “era uma vez” dos contos de fadas tem como final um “foram felizes para sempre” na vida real. Afinal, todos conhecemos alguma gata borralheira que morreu nessa condição sem nunca ter conhecido um resgatador príncipe encantado ou deixado de padecer sua sorte. A propósito, é bom lembrar ainda que nenhum sapo, após um corajoso beijo de uma bem intencionada mocinha, se transformará naquele idílico personagem.
Deixei de acreditar, para minha tristeza, que é fácil ganhar em um sorteio ou na loteria, como o prêmio acumulado da Mega Sena. Mas isso é óbvio de constatar, caso contrário, tal prêmio não se acumularia com tanta frequência.
Contudo, essas percepções reais da vida, apesar da dor pela perda do romantismo que trazem em si mesmo, não me causaram tanta consternação quanto a compreensão do que há de podre no cenário político de nosso Estado e de nosso País.
Nada dói tanto quanto deixar de acreditar nas instituições que um dia nos ensinaram existirem para nos proteger. É terrível perceber como se manipulam as regras para subverter o direito. É repugnante sofrer na pele as alianças espúrias que nos roubam o que nos seria justo.

Deixei de crer. Não sei se amadureci ou desvaneci, mas algo foi apagado do brilho dos meus olhos. Contudo, em algo ainda creio: que o valor da luta pelo bem é maior do que uma sentença que a torna ilegal. E que na corrupção nem o que a propõe nem o que a aceita valem tanto quanto a decência da gente que por eles tem sua vida destruída de seus sonhos.
Adiante, professores!
Ana Valéria Moraes
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