Partindo dessa premissa, creio que o céu deve estar muito bem frequentado pelos inventores ou criadores de muitos artefatos, guloseimas e tantas outras coisas que facilitam nossa vida ou dão mais sabor a ela. Por exemplo, quem inventou o sorvete eu não sei, mas sei sim que certamente ele anda lá pelo Paraíso bem rodeado de anjinhos, por tamanho ato de altruísmo ao mundo, refrescando nossa vida.
E quem foram os sagrados inventores do queijo, pão, do cafezinho e do churrasco? Não tenho a menor ideia sequer, mas duvido que não estejam por lá, celebrando, bem acompanhados, suas premiadas criações.
E do saca-rolhas, do martelo, da tesoura e ainda o criador do papel higiênico? Santificados sejam seus nomes, porque de nada valeria uma garrafa de vinho para regar uma ceia, um utilíssimo prego, um tecido chiquérrimo ou um belo banheiro com flores, se nele existisse uma cesta cheia de sabugos.
A algumas invenções, contudo, tenho umas ressalvas, tais como o trabalho ou o tempo. Que seu criador está no céu tenho certeza, é só conferir os primeiros capítulos de Gênesis, mas há de estar bem longe daquele lugar edêmico quem inventou a carga horária obrigatória ou o relógio de ponto e ainda o sujeito que deu vida aos cremes de rejuvenescimento, tinturas e maquilagens que não nos permitem envelhecer sem paranóias. Falando nisso, cedendo a pressão atual, bem aventurado então seja o criador do Photoshop – que esteja a deliciar-se entre nuvens – porque, já que não podemos dizer a idade que temos, negando até o fim a passagem das primaveras, pelo menos em fotos podemos ficar eternamente bem, regalando-nos com essas e outras tantas maravilhas até que a morte nos leve, cheios de anos e babando mais do que nunca.