Apenas um lugar para a gente pensar junto...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cansei

Cansei dos cristos pregados nas paredes; dos cristos estampados nas camisetas sem significado prático.
Cansei dos cristos dos slogans midiáticos; dos cristos das frases ditas em novidades antigas.
Cansei dos cristos vendidos em igrejas insossas; dos cristos acesos de lugares auto-iluminados.
Cansei dos cristos usados para dar ou retirar.
Cansei...

Tenho saudade de um outro Cristo.
Do que foi pregado na cruz por muitos que não são poucos... mas, por todos.
Daquele que o que teve estampado foi o seu sangue em lugar do meu;
Do Cristo do slogan: "Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum", meu Rei, nosso Rei, que reina de fato.
Sinto a falta do Cristo da igreja de templos humanos, não manipulado, sem paredes que o limitem; daquele que é a própria Luz.
Por onde anda esse Cristo?

Certamente ausente de muitas ditas celebrações;
Distante de muitos altares e púlpitos consagrados;
Faltando a muitas reuniões santas e longe de muitas adorações.
Talvez ele esteja mais perto de personagens profanas (novos publicanos e meretrizes), ou de lugares impuros, tocando e sendo tocado por outros leprosos, cegos e maltrapilhos e sendo ovacionado por pedras que se tornaram seus filhos.

Quisera muitos igrejas pudessem vê-lo de novo. Talvez assim não houvesse mais tanta gente cansada e com saudades.



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Meu Credo


"Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra. Pai de todos sem exclusivismos: dos puros e impuros; dos santos e não santos, porque é fonte primeira de toda forma de vida, que não pode ser gerada de outra maneira.
Creio em Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, nosso Senhor. Que ama a todos, sem distinção. Filho do Pai, portanto, também, pela nossa submissão e obediência ao mesmo Pai, nosso irmão, irmã e mãe.
Creio que Ele foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao mundo dos mortos, ressuscitou no terceiro dia, subiu ao céu e está sentado a direita de Deus Pai, Todo-Poderoso, de onde virá para julgar os vivos e os mortos, segundo seu senhorio em nossa vida e pela realização de nossas obras, não exclusivamente na igreja institucional ou entre irmãos da mesma denominação, mas no mundo, que é a seara maior, para onde todos nós fomos enviados e onde devemos ser sal e luz.
Creio no Espirito Santo, que habita em nós, tornando-se verdadeiramente o Deus-conosco.
Creio na santa Igreja cristã invisível, que extrapola as paredes denominacionais, ama e aceita os diferentes sem discriminá-los mesmo que não aprove seu comportamento; não separa o joio do trigo porque não é sua função; se deixa tocar, caminha junto e perdoa setenta vezes sete, até a quem não lhe pede perdão.
Creio na comunhão dos santos, que têm em comum a aceitação de Deus em Cristo, sua justificação e acolhida amorosa. Que, como filhos pródigos que retornam ao Lar, têm, todos juntos, noção de sua pequenez e igualdade perante Deus. Igualmente alvos de misericórdia, portanto, sem distinção hierárquica ou de patente. Simples irmãos queridos em Deus.
Creio na remissão dos pecados, na inculpabilidade em Deus pelos méritos de Cristo e no resgate de nossa dignidade; na ressurreição do corpo e na vida eterna que começa agora pela implantação dos valores do Reino a partir de nós.
Amém."

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Os publicanos e meretrizes de hoje

"A coisa absolutamente imperdoável [em Jesus] não era a preocupação com os enfermos, os aleijados, os leprosos, os possessos... nem mesmo sua opção pelas pessoas pobres e humildes. O verdadeiro problema é que ele se envolveu com fracassados morais, com pessoas obviamente incrédulas e imorais: pessoas moral e politicamente suspeitas, muitas delas tipos dúbios, obscuros, abandonados, sem esperança, à margem de toda a sociedade, como travestis, bicheiros, trambiqueiros, bêbados inveterados, garotas de programa... (acréscimo meu). Este era o verdadeiro escândalo. Será que ele tinha mesmo que ir tão longe? Esta atitude, na prática, é notadamente distinta do comportamento geral das pessoas religiosas." (Por que ainda ser um cristão hoje? - Hans Küng).


De que lado estamos hoje? Acompanhando os ensinamentos de Jesus e imitando-o ou torcendo a cara e mudando de calçada ao nos depararmos com esses tipos?

Sou uma ET

De uns tempos para cá tenho me sentido uma ET no meio evangélico. Isso se deve a uma constante sensação de inadequação, como se lugar nenhum me coubesse. Mas como se sentir bem entre tantos limites e imposições crueis?
Já pensei em deixar de frequentá-la e só não fiz isso porque fui levada a crer que ali há também muitos outros inconformados como eu, que ainda teimam em acreditar, mas reconheço que essa pueril obstinação provoca muitas reações desagradáveis.
Sou uma leitora assídua da Bíblia. Tenho por hábito há anos a leitura devocional daquele livro nas primeiras horas da manhã, mas tenho a impressão que isso não tem provocado em mim algo muito bom, porque quanto mais a leio, mais inconformada fico com os moldes eclesiásticos atuais pelo choque que há entre o que medito nas Escrituras e o que ouço nos sermões.
Sinceramente, como acreditar em um Deus de tantas "senões"? Nos púlpitos escutamos as condições para conseguirmos os benefícios divinos; para sermos salvos e/ou para permanecermos com a salvação; para não sermos castigados; para não escandalizarmos o Espírito Santo; para não nos contaminarmos com o mundo... Aí pergunto: de qual Deus estamos falando? Qual a Bíblia que andam lendo? Como conciliar essas exigências com a Boa Nova da graça? Como combinar esses condicionamentos à liberdade responsável ensinada por Cristo?
Por isso, questiono quem é mais ET. Se quem tenta se infiltrar na sociedade, tentando não chamar a atenção como caricaturas extravagantes de um povo separado por Deus ou se criaturas autômatas e esdrúxulas que, pela ausência de uma leitura crítica da realidade e da Bíblia, fazem questão de viver "longe do mundo"?
Como testemunhas (At 1) sei da responsabilidade que devemos ter para os outros, mas como criaturas alcançadas pelo amor e pela graça de Deus sei também que testemunho maior é dado quando conseguimos ser notados não por esquisitices, mas por um jeito leve de viver.
Pensando bem, vou deixar de me incomodar de ser uma extra-terrestre se isso implica uma vida diferente daquela imposta por muitas pregações infantilizadas, afinal, essa igreja está da terra demais para o meu gosto.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Toda unanimidade é burra



Lendo com um pouco mais de atenção o discurso de Estevão no capítulo 7 de Atos observa-se alguns pontos que são dignos de nota. Ele afirmou categoricamente que
1. Moisés não foi o verdadeiro príncipe e libertador do povo judeu (v.35);
2. Moisés não falou com Deus face a face, mas sim com seu anjo (v.38);
3. O Templo de Jerusalém não era a verdadeira habitação de Deus (vv. 48, 49);
4. Os judeus de seu tempo eram tão obstinados e resistentes a Deus quanto os antigos (vv. 51, 52);
Por isso a reação furiosa dos seus ouvintes (v.54), a ponto de o privarem de um julgamento justo e o matarem lapidado em um ato de linchamento cruel.
O interessante é que o que Estevão falou era apenas um reflexo de como os judeus da dispersão (helenistas) compreendiam a história de Israel. Ou seja, não havia um judaísmo único e hegemônico naquela época, mas sim vários. Isso sem citar as diferenças entre as teologias dos fariseus, saduceus, essênios, zelotas, etc.
Da mesma forma se percebe o cristianismo incipiente da Igreja Primitiva, exemplificado pelas inúmeras controvérsias entre os ensinamentos de Paulo e o de Pedro e Tiago, parcialmente resolvidas em um concílio do capítulo 15.
Portanto, é ingênuo querer um único cristianismo atualmente. A Heterogeneidade de pensamentos é um dos resultados do livre pensar e completamente saudável. Nelson Rodrigues acertou quando afirmou que toda unanimidade é burra, porque expressa uma visão caolha de qualquer ponto. Dessa forma, o que precisamos aprender é a conviver com os diferentes sem nos sentirmos ameaçados. Tolerância talvez seja hoje um dos mais fortes sinais de maturidade e verdadeiro espírito cristão.
Citando Voltaire, endosso suas palavras em relação aos que pensam diferente: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las".
Da imposição aos outros de uma única maneira de pensar o mundo está cheio, daí o crescimento do fanatismo religioso não apenas no Oriente Médio.
Se não abrirmos ao outro um canal de comunicação, sem a franca consciência de que estamos sempre certos, estaremos fadados a cometer os mesmos erros que levaram a morte do primeiro mártir cristão e a, talvez até, impedir nosso próprio crescimento, fazendo calar a voz do Espírito em nós.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Atletismo Bíblico



É incrível o malabarismo que fazemos com alguns textos bíblicos, tirando-os do seu contexto para justificarmos nossa "evangelização".

O texto de Fp 4:13: "tudo posso naquele que me fortalece" é muito usado para afirmar nossos super-poderes espirituais, contudo, Paulo, na carta, acabara de mostrar que sabe passar inclusive por momentos de privações porque sua força está em Deus. Não há indicação nenhuma da afirmação que é feita atualmente, dando a entender que conseguimos tudo o que queremos.

O texto de Ap 3:20: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo" não foi feita em um contexto de atrair prosélitos, como teimamos em afirmar aos descrentes hoje, mas sim à igreja de Laodicéia, o que surpreende por mostrar a ausência de Cristo no coração de muitos crentes.

Outro texto desvirtuado de seu sentido original também é Rm 8:37 quando afirma: "Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores". No caso, exaltamos o "vencedores", mas ignoramos o pronome demonstrativo que determina o sentido do texto, que é um contexto de entrega à morte diária, distanciando muito da idéia de campeões da fé.

Outro exemplo típico é o de uma frase comum encontrada em muitos adesivos de carro: "Deus é fiel". Contudo, a afirmação carece de um objeto: a quem Deus é fiel? Em Ez 36: 32 o Senhor declara: "Não é por amor de vós, fique bem entendido, que eu faço isto, diz o SENHOR Deus", o que mostra que a fidelidade de Deus não é à a, b ou c, mas ao seu nome, estabelecendo uma diferença bem grande entre aquilo que é feito como "propaganda" de Deus. E assim por diante.

Não é preciso ser doutor em Bíblia para citar seus textos sem ideologias subliminares, mas certamente é necessário sermos mais honestos para não afirmarmos qualquer coisa além do que está escrito, mesmo que a intenção seja a de atrair pessoas para nossas igrejas. O Reino não precisa disso. O primor pela qualidade é mais importante que o da quantidade.

Somente com uma pregação verdadeira é que a igreja do Senhor vai ter a ganhar.

domingo, 6 de setembro de 2009

Como o mundo nos ouve

Tenho a impressão que com o testemunho de alguns grupos evangélicos, nossa evangelização se tornou motivo de chacota, pilhéria. Podemos até falar coisas coerentes, mas como nossas ações falam mais alto, pouca coisa é crível. Assistindo a esse vídeo, foi impossível, de forma jocosa, não associá-lo à forma como nos ouvem. Para muitos, nosso discurso é vazio de significado, porque não vem acompanhado de sentido prático. Convido-o(a) a assistí-lo para ver se concorda comigo ou não.
http://www.youtube.com/watch?v=TgITfB3JQdg