Apenas um lugar para a gente pensar junto...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Uma Batalha Quixotesca

Cansei, esgotada da vida recheada de moinhos. Quero encostar a lança e o escudo e apenas chorar.
Estou cansada dos golpes dados a ermo sem nada alcançar, enquanto vejo-me atingida, mais rápído do que posso me defender.
De que adianta um bronze mais polido e uma ponta mais mortal?
De que adianta enfrentar o inimigo se já nem sei mais quem é?
De que adianta mais uma estratégia aprendida se a próxima ainda não dominei, ficando sempre a um passo atrás?
Não há justiça onde se espera, nem dignidade entre os iguais.
A credulidade apenas amacia a carne para os predadores em uma utopia de mudança reservada aparentemente aos ingênuos. As estruturas são mais sólidas, não se desfazem sob golpe repetidos.
Ceguei!
Onde estão todos? Estremeço ao ver uma plantação de trigos iguais, podadas na altura certa, sem espiga; desumanizada.
É triste ver o resultado: ao vento, balança de forma sincronizada, obedecendo estéril.
Quero só me recostar. Preciso me recostar senão padeço por inanição.
Não há como remendar. O pano velho se rasgaria. E pranteio. Olhos ressequidos, armadura largada.
Quixotescamente falando, não há solução.
E sobre zumbis passeiam os que se beneficiam do caos.
Tem misericórdia, meu Deus, e faz soprar o teu vento que um dia derrubou muralhas e ergueu ossos antes secos.
Não sou Dom Quixote, carente de juízo. Os moinhos serão sim destruídos. Disso eu tenho certeza. E voltarei a lutar!

Ana Valéria

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um leque chamado "deseducação"

Não sou especialista em educação, em estudos sociológicos ou coisa parecida, mas, mesmo com meus olhos leigos, atrevo-me a atribuir o desmando generalizado em que boia a nossa sociedade à sucessão de desrespeito à educação primária pública que nossos políticos insistem em negligenciar.
Olhe para os lados. Onde não encontramos flagrantes de desrespeito às leis ou às boas maneiras?
No trânsito é de deixar qualquer um estupefato o simples trafegar. Como exemplo veja o que ocorre nos cruzamentos de nossa cidade: independente da hora não existe mais parada obrigatória em sinal vermelho (a propósito sugiro adicionarem mais uma cor à tríade do semáforo: a cor laranja após a amarela, já que essa última não serve mais de alerta); o contra-fluxo, que seria restrito aos coletivos, transformou-se em permitido fluxo e a placa de proibido estacionar teve seu sentido alterado para proibido enxergar-me, já que estacionam mesmo sob ela; e por aí vai...
No convívio interpessoal, tenho me deparado em situações onde o dizer b
om dia, boa tarde ou boa noite recebe o silêncio como resposta, parece que ser educada saiu de moda.
A situação está tão caótica que às vezes quase me sinto culpada por ainda ser honesta ou por não me prevalecer de determinadas situações diante de algumas pessoas.
Ninguém me tira da cabeça que grande parte do que ocorre agora é reflexo de anos de descaso com a educação escolar. Há tempos que a educação formal limitou-se à extensão do currículo, quando muito, ficando as regras básicas de convivência negligenciadas.
O que testemunhamos a cada minuto do nosso dia, onde quer que estejamos, é o perímetro do leque que tem como base a escola.
Sem uma educação séria e de qualidade não há como se esperar uma convivência pacífica entre as pessoas nem uma sociedade pautada na fraternidade e no respeito ao próximo.
Por enquanto, serve a máxima: salve-se quem puder!
Ana Valéria

segunda-feira, 29 de março de 2010

Ventos de Mudança

Quero pedir perdão a todos aqueles que sempre me visitam à busca de novos textos por minha prolongada ausência. É que tenho me dedicado integralmente aos estudos para concurso e tem me sobrado pouco tempo para minhas ocupações rotineiras.
O que me fez voltar os olhos para esse novo momento foram os reveses da vida e a estúpida percepção de ter feito uma série de escolhas erradas que culminou em como me encontro agora. Estou insatisfeita, muito insatisfeita.
Usando a frase que está na moda posso fazer uma radiografia minha para visitação pública: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim."
Não é fácil descobrir-se, com mais de quarenta, com a vida repleta de circunstâncias que redundaram na minha atual sensação de auto-inconformidade existencial, por isso quero mudar e estou buscando com todas as minhas forças. Começo com a ocupação profissional e as demais virão com o tempo.
A você minha expectativa de compreensão.
Sempre quando der postarei algo novo.

Um beijo no coração.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Tributo ao Allison



Já ouvi inúmeras vezes esse dito popular: Há pessoas no mundo que tiram o melhor de nós. Hoje computo essa qualidade ímpar ao meu amigo Allison Ambrósio.
Levado prematuramente desse mundo, deixou perplexa consternação em todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo e conviver com ele pelo menos um pouco.
Em suas andanças, parece-me que não sabia fazer colegas ou eventuais conhecidos, só fazia amigos. É dessa forma que todos se referem a ele e que choram hoje sua partida.
Nas últimas horas que se sucederam ao seu quadro hospitalar, foi surpreendente a maneira como àqueles que cruzaram de alguma maneira com sua vida só reputaram-lhe a distinção de tê-los feito bem. Tinha sempre uma palavra de consolo, um sorriso, um motivo a mais de adoração a Deus; mesmo os que só lhe conheceram através de suas apresentações musicais, narram que ele tinha sempre um sorriso largo, de aparente simpatia. Pura verdade!
Ontem, junto com a notícia definitiva de que ele havia falecido, ouvi de alguém que lhe admirava muito que queria fazer na vida pelo menos um por cento do que ele havia feito na vida de muitos. Isso vale a vida de um homem. Dever cumprido, amigo.
Quero buscar em seu exemplo de impacto inspiração para a minha. Quero ter semelhante valor. Ele foi realmente um grande homem.
Cabe a nós agora fazer como outro cantor ao referir-se a morte de alguém querido, na Bíblia: poderemos fazê-lo voltar? Nós iremos a ele (2Sm 12:23), com a certeza de que nos encontraremos no céu.
O fato é que ele está indo muito cedo, contudo, a qualidade da vida de um homem não está na quantidade de dias que passa entre nós, mas no valor que atribui a vida daqueles que lhe conheceram. Vou sentir saudades de seu sorriso maroto, de suas piadas que tornavam leve qualquer ambiente e de suas composições e poesias. Seus conselhos e palavras apropriadas a cada momento silenciarão, mas seu legado estará sempre conosco, embalado nas notas musicais que deixou eternizadas entre nós e que tantas vezes falaram ao meu coração.

Allison Ambrósio: um homem que não apenas tirava o melhor, mas também que nos fazia ver o que há de melhor em nós.
Ao amigo, pastor, cantor e compositor meu minuto de silêncio! _____________...























Ana Valéria
Publicado no "Jornal do Leitor" do jornal O POVO, edição de sábado 13/03/2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Quem vai para o céu?

Tenho uma amiga que costuma regalar-se diante de qualquer coisa que goste muito, premiando o criador da maravilha com a certeza da estada no céu. Outro dia, quando estava deliciando-se com um pedaço de BIS branco, exclamou com os olhos fixos no objeto de seu desejo, quase babando: – Tenho certeza que quem criou esse chocolate está no céu!
Partindo dessa premissa, creio que o céu deve estar muito bem frequentado pelos inventores ou criadores de muitos artefatos, guloseimas e tantas outras coisas que facilitam nossa vida ou dão mais sabor a ela. Por exemplo, quem inventou o sorvete eu não sei, mas sei sim que certamente ele anda lá pelo Paraíso bem rodeado de anjinhos, por tamanho ato de altruísmo ao mundo, refrescando nossa vida.
E quem foram os sagrados inventores do queijo, pão, do cafezinho e do churrasco? Não tenho a menor ideia sequer, mas duvido que não estejam por lá, celebrando, bem acompanhados, suas premiadas criações.
E do saca-rolhas, do martelo, da tesoura e ainda o criador do papel higiênico? Santificados sejam seus nomes, porque de nada valeria uma garrafa de vinho para regar uma ceia, um utilíssimo prego, um tecido chiquérrimo ou um belo banheiro com flores, se nele existisse uma cesta cheia de sabugos.
A algumas invenções, contudo, tenho umas ressalvas, tais como o trabalho ou o tempo. Que seu criador está no céu tenho certeza, é só conferir os primeiros capítulos de Gênesis, mas há de estar bem longe daquele lugar edêmico quem inventou a carga horária obrigatória ou o relógio de ponto e ainda o sujeito que deu vida aos cremes de rejuvenescimento, tinturas e maquilagens que não nos permitem envelhecer sem paranóias. Falando nisso, cedendo a pressão atual, bem aventurado então seja o criador do Photoshop – que esteja a deliciar-se entre nuvens – porque, já que não podemos dizer a idade que temos, negando até o fim a passagem das primaveras, pelo menos em fotos podemos ficar eternamente bem, regalando-nos com essas e outras tantas maravilhas até que a morte nos leve, cheios de anos e babando mais do que nunca.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Nostalgia

Realmente devo estar ficando velha porque ando me sentindo muito nostálgica, às vezes até de situações que não vivi. Percebi isso quando passei a notar algumas situações com um ar de melhores-tempos-idos com uma dor pungente no coração com muita frequencia. Bastava passear com olhos mais abertos ao mundo ou me colocar como simples observadora em fatos do cotidiano. Explico-me:
Como tenho saudade – mesmo sem tê-los vivido algumas vezes – dos tempos em que havia muito mais respeito dos jovens pelos mais velhos, ainda que fosse na simples relação entre pais e filhos ou tios e sobrinhos ou ainda entre alunos e mestres. Não cheguei a ver com meus próprios olhos, mas sei que mal se podia mirar os mais vividos nos olhos sem correr o risco de constituir uma afronta àqueles. Era o tempo em que os termos “senhor” e “senhora” não eram usados apenas como frases de abertura em auditório. Tempos em que tais termos tinham um valor intrínseco de dignidade e não apenas um retórico segundo tratamento a qualquer vossa excelência parlamentar, governamental ou a alguém de maiores posses. Era preciso que fosse honrado para possuí-lo.
Tenho saudade do tempo em que certas palavras eram tidas como de baixo calão, sem meios termos ou consideradas como “graciosidade irreverente”, e eram encontradas, apenas, na boca dos sem-educação ou compostura não em pessoas de respeito, escancaradas em discursos políticos, alardeados aos quatro cantos da nação ou desencandeando risos e aplausos em platéias .
Ah, como é saudoso o tempo em que podia-se passear na rua a qualquer hora sem se correr o risco de ser agredida por imagens ou gestos e comportamentos obscenos que atentam ao pudor, sem a desculpa de serem tidas como expressão artística, liberdade dos tempos ou vistas com um olhar complacente justificável, frutos da ocasião.
Lembro-me ainda dos tempos em que o lugar para se guardar economia era sob o colchão, alvo certo dos ladrões em romances antigos. Acho que por isso me lembro sempre das palavras do meu avô que me dizia que de um homem de palavra bastava apenas o fio de bigode como penhor. Aqueles sim deveriam ter sido bons tempos, porque não havia a necessidade de buscar dinheiro em outros lugares, muito menos nas roupas de baixo do homens, supostamente de honra, de hoje.
Tenho saudade ainda do tempo em que as palavras traduziam o sentido por si só – elas diziam o que foram feitas para dizer – e que o eufemismo era apenas uma figura de linguagem usada como recurso para os mais cautelosos. Assim roubar não era “arrastar”, “ganhar”, “ter um novo dono” ou “esperteza”; desvio de verbas não era “superfaturamento”, mentira não era “faltar com a verdade”; suborno não era “agrado”, “molhar a mão”, “tôco”; prostituta não era “garota de programa” ou “profissional do sexo” e condenados em primeira instância não eram tidos como “homens de comportamento ilibado”, estando aptos ao desempenho de cargos de confiança até que se provasse o contrário.
Até das músicas de outrora sinto nostalgia por suas melodias mais elaboradas, beleza harmônica e letras ricas onde não havia a propagação aceitável de mensagens que estimulam a violência, ao sexo irrespónsável e onde as mulheres não eram chamadas de cachorras e safadas, e os homens de raparigueiros, sem que os ouvintes se sentissem agredidos.
Não quero sacralizar os tempos idos como os melhores em tudo. Não sou ingênua. Há muitas coisas que marcaram épocas já vividas de tal forma que sentimos alívio por não existirem mais. Contudo, há outras que sinceramente me fazem falta. Talvez tenha envelhecido mesmo, talvez esteja mais com os olhos no passado que deveria, contudo, saudosismo legítimo ou não, tenho a absoluta certeza que nossa compreensão do certo, honroso é que não é mais a mesma. O problema então não seria o tempo, mas o que fizeram com o que temos hoje, ou, pior, o que fizemos conosco mesmos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Aprendendo com os Reis Magos


Examinando as Escrituras encontramos a seguinte narração quanto à visita dos Reis Magos ao menino Jesus, por ocasião de seu nascimento:
"1 E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, 2 Dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo."

Enquanto examinando a mídia em geral encontramos a seguinte narrativa em relação ao Natal:
"1. Natal gordo
Segundo especialistas econômicos nacionais as vendas deste natal devem superar o ano anterior em cerca de 20% causando um equilíbrio econômico
em comparação aos anos anteriores, e assim o comércio se preparará para o Natal mais gordo dos ultimos 10 anos, com mais de 100 bilhões de reais sendo aportados na economia nacional através dos pagamento do 13º salário e da oferta de crédito aos consumidores. As grandes lojas e magazines já aumentaram seus pedidos em 20%, e as maiores encomendas são por emetrodomésticos, pelos eletrônicos e itens de informática, especialmente o notebook, que deve ser a grande febre deste Natal, apostam os lojistas.
2. Em 2009 as vendas natalinas deverão ser 30% maiores que em 2008, alcançando 1,63 bilhão de reais."

Daí surgem perguntas inevitáveis: 1) Estamos nos referindo ao evento citado acima das Sagradas Escrituras? 2) Será que um marciano nos visitando conseguiria associar a data referida aos eventos e expectativas comerciais que a precedem? Creio que alguma coisa não está encaixando.
A narrativa dos Reis Magos é única na Bíblia. Só Mateus a faz. Poucos detalhes nos chegaram e a maioria deles é fruto da tradição cristã. Por exemplo, não sabemos quantos personagens eram ou mesmo se eram reis. Fala-se em três, numa possível alusão ao filhos de Noé (Sem, Cão e Jafé), talvez para englobar todas as raças humanas que daí vieram. Também lhe foram dados nomes: Melquior, Gaspar e Baltazar, que corresponderiam aos reis da Pérsia, Índia e Arábia, respectivamente, ainda na mesma intenção de englobar toda a Terra conhecida, que teria ido ao encontro de Jesus.
Contudo, qual teria sido a intenção do evangelista ao detalhar essa história?
Tenho certeza que pra ele foi importante mencionar uma estrela que os guiava até o local onde estava Jesus para que lá pudessem adorá-lo. Hoje me pergunto qual dos símbolos natalinos nos guiam: um velho gordo? um pinheiro?... Outro dado importante é para onde nos guiam. Ao shopping? uma liquidação?... E para adorar o quê?
Os magos levaram presentes: ouro, incenso e mirra, que simbolizavam a realeza, a divindade e a humanidade do menino que nascera. Mas o que significa ou simboliza o nosso Natal hoje? Qual presente entregamos ao "recém-nascido"?

Sem dúvida já não falamos do mesmo evento. Este não é mais o Natal do Nosso Senhor Jesus!
E se o natal já não representa o nascimento de Cristo. Se os símbolos atuais não nos guiam mais a Deus. Se os presentes não são mais uma manisfestação de reconhecimento ao papel salvador que teve. Se em nada agora há pistas de adoração a ele, a quem deve ser? Não é de se estranhar que a frase dita pelas miríades celestiais por ocasião de seu nascimento esteja tão longe da realidade atual (Lc 2:13,14):
"13 Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: 14 Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade. "
Em um mundo sem Deus, uma existência sem paz!

Tenho a consciência, e lamento por isso, que mudar o mundo e o seu “natal” com seus valores e sua cultura fútil e consumista é impossível a um só, mas o nosso natal, o meu e o seu, nossa comemoração do aniversário de nascimento de Cristo pode e deve ser mudado, tendo por guia o modelo dos Reis Magos.
Minha oração é que Deus nos ajude a resgatar na nossa história os reais valores, o verdadeiro significado e a suprema importância do nascimento de nosso Salvador, como muito mais do que uma ocasião onde o comércio consegue recuperar seu ano de pífio faturamento ou concretizamos nossos sonhos de consumo, pela compreensão do apoteótico início de uma grande história de amor de Deus por nós, culminando na morte de seu Filho para nossa salvação.

Feliz Natal de verdade!!!!